28 de nov de 2013

Que fazer ante o mal que me ataca?


            Descansava Jesus em casa de Igorin, o curtidor, no vilarejo de Dalmanuta, quando Joab, escriba em Cesárea (...), penetra sozinho pela casa, e encontra em quarto humilde o Cristo generoso, meditando em silêncio.  
            -Mestre! – clama, chorando, depois de confortado às saudações primeiras – tenho o peito dorido e o pensamento em fogo, humilhado que estou por injúrias atrozes. Feriram-me, Senhor, enodoando-me o nome e furtando-me o pão... Que fazer ante o mal que me ataca, insolente? De que modo portar-me, perante os inimigos que me cobrem de lodo?  
            -Perdoa, filho meu! –disse o Amigo Celeste.  
            -Senhor, como esquecer malfeitores e ingratos?  
            -Anotando-lhes sempre a condição de enfermos.
            -Enfermos? Como assim, se perseguem matando?
            -Não procederiam desse modo se não fossem dementes.  
            -Mestre – insistiu Joab -, convém esclarecer que os meus adversários são ladrões perigosos...  
            -São, pois, mais infelizes...  
            -Infelizes por quê?  Se tem casas faustosas e terras florescentes?

            -Todavia, amanhã descerão ao sepulcro, abandonando o furto a mãos que desconhecem...  
            -Entretanto, Senhor, sem qualquer razão justa, eles querem prender-me.  
            -Não importa, meu filho, pois todo delinquente está preso em si mesmo às algemas da treva.  
            -Mestre! Mestre! Ainda assim, espreitam-me igualmente em tocaia sinistra, prelibando-me a morte, todos eles armados de punhais assassinos!...  
            -Perdoa e ora por eles – disse o Cristo, sereno -, porque é da Eterna Lei que a justiça se faça... Todo aquele que fere será também ferido...  
            O escriba, em desespero, ajuntou lacrimoso:  
            -Senhor, estou sozinho, despojado de tudo...  
            Iludiram-me a esposa e roubaram-me os filhos...  
Acusado sem culpa, o cárcere me espera; venerei sempre as leis, guardando-lhes os princípios e toda a minha dor nasce da sombra hostil da infâmia que me cerca! Que fazer, Benfeitor, ante as garras da lama?  

            -Filho, perdoa sempre, olvida todo mal e faze todo o bem, porque somente o bem é luz que não se apaga...


Livro: Contos desta e doutra vida
Capítulo: 29 - O escriba incrédulo
Autores: Irmão x / Chico Xavier

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